Pinker e o estilo clássico

“Guia de escrita: como conceber um texto com clareza, beleza e precisão” (Editora Contexto) é das melhores coisas que li sobre a arte de redigir. Com base em postulados da neurolinguística, o autor nos apresenta os princípios do chamado “estilo clássico”.   Entre as diretrizes desse estilo está o emprego da ordem direta, a fugaContinuar lendo “Pinker e o estilo clássico”

Arcaísmos

Essa história aconteceu no tempo do ronca. Conta-se que um mancebo sem eira nem beira propendia a namorar uma donzela de truz. Para isso usava toda a sua léria, mas o pai da moça se opunha por achar que ele era um mandrião. Não se ocupava em nada que lhe trouxesse algum tipo de estipêndio.Continuar lendo “Arcaísmos”

Sobre a queixa

Toda queixa é agressão. O queixoso agride invocando a própria infelicidade para provocar culpa nos outros. Ao atribuir aos outros a responsabilidade por seu sofrimento, exime-se de resolvê-lo por si mesmo. Ele cultiva uma espécie de espécie de narcisismo masoquista, que só faz perdurar a aflição. Não se importa de sofrer, contanto que torne visívelContinuar lendo “Sobre a queixa”

A palavra mais longa

A revista Língua Portuguesa (Segmento) fez uma pesquisa para saber qual a maior palavra do português. Quem pensou que ganharia “anticonstitucionalissimamente” se enganou. Essa ficou em segundo lugar, com 29 letras. A campeã foi “pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico”. Ela tem 46 letras e designa “quem caiu doente por aspirar cinzas de um vulcão”.

Escrever e pensar

A gente pensa para escrever ou escreve para pensar? As duas coisas. O propósito de dizer algo faz com que persigamos o que deve ser dito, e isso ativa o fulcro das ideias. Assim, pensamos mais. O esforço tem também a vantagem de nos conduzir a verdades até então inconscientes.

Van Gogh

Uma das funções da arte é reinventar a Natureza. É infundir-lhe alma, tornando-a uma representação dos conflitos humanos. Em poucos artistas se vê isso com tanta eloquência como em Van Gogh. É surpreendente a energia com que o pintor representa flores, objetos, figuras humanas. Ele procura captar não a aparência reconhecível, mas a dimensão profundaContinuar lendo “Van Gogh”

Solidão cósmica

Ad Astra (Rumo às estrelas) é um filme sobre a solidão. A cósmica solidão humana. O personagem principal (interpretado por um compenetrado Brad Pitt) é convocado a procurar o pai, que há mais de duas décadas saíra numa missão encarregada de descobrir vida fora da Terra. Pensava-se que ele tivesse morrido, mas havia indícios deContinuar lendo “Solidão cósmica”

Proust e o homessexualismo

Em “Sodoma e Gomorra” – terceiro volume de “Em busca do tempo perdido –, Proust faz nas primeiras páginas uma caracterização exaustiva do homossexualismo, buscando entender (e explicar) a psique do que chama de “homens-mulheres” e “mulheres-homens”. Uma pílula retirada da página 29: “Toda criatura busca seu prazer, e, se essa criatura não é porContinuar lendo “Proust e o homessexualismo”

Argumento de amor

Ninguém tem de si uma ideia muito boa para amar o próximo por este lhe ser semelhante. Se o mandamento fosse outro, impressionaria mais. Por exemplo: “ame o próximo que seja melhor do que você”. Como tendemos a nos igualar a quem amamos, esse argumento teria grande força persuasiva. Amaríamos para sair um pouco deContinuar lendo “Argumento de amor”